Pesquisa neoconcretistas
Os objetos sensoriais de Lygia Clark surgem no contexto do fim do Neoconcretismo (1966-1969), quando a artista abandona os "Bichos" metálicos para explorar materiais efêmeros e baratos como plásticos, água, ar, pedras e elásticos. Em plena Ditadura Militar no Brasil, sua obra se torna um ato de resistência: ao invés de objetos de contemplação, ela cria "não-objetos" que só existem na experiência tátil e relacional do participador, reativando o corpo e a percepção sensorial como territórios de liberdade. Influenciada pela fenomenologia de Merleau-Ponty, Lygia transfere a arte do campo visual para o campo vivencial, antecipando sua posterior prática terapêutica.
Lygia Clark foi uma das artistas brasileira que participou do movimento neoconcreto, buscando, por meio de sua arte, desconstruir a ideia de objetos estáticos, transformando a arte em experiências sensoriais, parte da transição da arte contemplativa para a arte participativa e corporal, fazendo uso de objetos cotidianos e do corpo humano e visando estimular os sentidos dos observadores. Dessa forma, a arte deixa de ser apenas uma obra estética e passa a fazer sentido a partir de sua manipulação e de seu uso.
Agua e conchas:
consiste em uma bolsa de plástico transparente preenchida com água e conchas, selada ou comprimida por um elástico que permite o fluxo do conteúdo de um lado para o outro conforme é manipulada
O conceito propõe que a arte deve deixar de ser um objeto estático e contemplativo para se tornar um "quase-corpo" que só ganha sentido através da experiência viva.
Dialogo de mãos:
Essa obra consiste em uma fita de Möbius que une os punhos de dois indivíduos, seu sentido ganha força conforme os envolvidos se movimentam e criam uma “dança” ou conversa silenciosa com as mãos, explorando os limites do movimento.
O uso da fita de Möbius, uma superfície que não possui "dentro" nem "fora", nem "cima" nem "baixo", materializa a ideia do não-objeto como algo que rompe as dualidades tradicionais
Alem disso, no momento do uso, o elástico deixa de ser percebido como um "objeto de arte" pendurado na parede. Ele se torna um condutor de sensações. A obra não é a fita em si, mas o evento do diálogo que ocorre entre os participantes a partir do uso do elástico.
Ping Pong;
Trata-se de um saco de plástico transparente contendo bolas de pingue-pongue no interior. O participante é convidado a manipular o saco, sentindo o peso, o movimento desordenado das bolas e o som que produzem ao colidirem umas com as outras e com o plástico.
Assim como as conchas ou o diálogo de mãos, Ping Pong não possui uma forma fixa ou estética final. O objeto artístico deixa de existir isoladamente para se tornar um instrumento de experiência. A obra "acontece" no momento em que o participante aperta o saco e ouve o estalido das bolas; fora dessa interação, são apenas materiais industriais inertes.
Máscaras Sensoriais:
Essa obra radicaliza a proposta de Lygia Clark ao transferir o foco da obra do "fora" para o "dentro" do corpo do participante. Elas são dispositivos feitos de tecido que alteram a percepção do mundo exterior para estimular uma jornada introspectiva.
A obra é composta por máscaras de diferentes cores, cada uma equipada com elementos que ativam sentidos, como óculos com diferentes tipos de lentes, sacos costurados na altura do nariz contendo sementes e ervas aromáticas e conchas próximas aos ouvidos que captam e alteram os sons ambientes
Diferente de objetos que exploram a sensação interna do corpo, esta obra explora a intersubjetividade ("eu" e "o outro"). A Fita de Moebius é uma metáfora visual para a ambiguidade entre tocar e ser tocado . A obra também reflete o contexto de 1966, marcado pela ditadura militar no Brasil, sugerindo a necessidade de união e diálogo em um período de repressão .
Os objetos sensoriais de Lygia Clark surgem no contexto do fim do Neoconcretismo (1966-1969), quando a artista abandona os "Bichos" metálicos para explorar materiais efêmeros e baratos como plásticos, água, ar, pedras e elásticos. Em plena Ditadura Militar no Brasil, sua obra se torna um ato de resistência: ao invés de objetos de contemplação, ela cria "não-objetos" que só existem na experiência tátil e relacional do participador, reativando o corpo e a percepção sensorial como territórios de liberdade. Influenciada pela fenomenologia de Merleau-Ponty, Lygia transfere a arte do campo visual para o campo vivencial, antecipando sua posterior prática terapêutica.
O Grivo
O Grivo é um grupo experimental de Belo Horizonte, formado por Marcos Moreira e Nelson Soares em 1990, que desenvolve obras baseadas em som, criando e reimaginando máquinas e objetos, construídos com materiais simples. Essas obras produzem sons e ruidos ocupando o espaço, valorizando a escuta dos detalhes e fazendo com que o público não apenas escute, mas observe o funcionamento dos objetos ao longo do tempo, fortalecendo principalmente a imersão com a obra. O trabalho do Grivo se aproxima das ideias do Neoconcretismo porque suas obras não são objetos estáticos nem têm um significado fixo a ser interpretado. Em vez disso, elas dependem da experiência do espectador, que precisa perceber os sons, o espaço e o funcionamento para que aconteça. As obras do O Grivo se aproximam da ideia de não-objeto porque não funcionam como objetos tradicionais, com um significado fixo ou uma função definida. Em vez de representar algo ou transmitir uma mensagem clara, elas existem como experiências sensoriais que acontecem no encontro com o público em concertos por exemplo.
- O “objeto” (a máquina) não é o fim, o essencial é o fenômeno sonoro invisível
- O som não é fixo: varia com o ambiente, com o tempo, com a escuta
- A obra não se encerra na forma ela só existe plenamente na experiência auditiva imersiva
- A obra é fluxo, não forma estática
- Não há começo/fim claros ela existe como duração
- O espectador não observa um objeto: ele habita um campo sensorial


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