Fichamento objetos
Primeiramente, todos os textos comentados na última aula fizeram relação entre os objetos e a humanidade.
O vídeo que os professores passaram, Dimensions of Dialogue, de Jan Švankmajer, é um curta de animação em stop-motion que mostra, de forma muito “esquisita” e diferente pra mim kkkk, a dificuldade e a violência da comunicação humana. As cabeças feitas de objetos se devoram e perdem suas identidades. Depois duas figuras de argila se fundem, mas se destroem em seguida. As cabeças trocam objetos complementares até que a incompatibilidade gera caos. O filme é uma alegoria pessimista sobre como o diálogo pode levar à destruição mútua.
Ursula K. Le Guin critica a narrativa tradicional focada no herói e no conflito ("teoria do osso") e propõe um modelo alternativo, a ficção como uma cesta. A primeira ferramenta humana importante não foi uma arma, mas algo para carregar, coletar e guardar. Assim, a ficção deveria conter histórias do cotidiano, das relações e da cooperação. Não importa quem vence, mas o que cabe dentro da narrativa.
No texto "Animação Cultural", Flusser inverte a relação entre humanos e objetos. A mesa-redonda comanda a revolução dos objetos, que são superiores a nós e não existem apenas para nos servir. O mito de Adão prova que o primeiro humano foi um objeto de barro. Aparelhos já dominam ciência, política e arte, mas ainda estão contaminados por valores humanos. A tarefa da revolução é desvalorizar a cultura, transformando ela em jogo puro sem propósito. A essência dos objetos é animar o comportamento humano, eles programam a nós para funcionarmos em função dos seus jogos.
Agora relacionando tudo que vi na aula: o vídeo do Švankmajer mostra que o diálogo humano é um tipo de desastre, as cabeças se devoram, os bonecos de argila se destroem, e no final todo mundo sai perdendo a identidade ou se aniquilando. A Le Guin olha pra esse mesmo problema, mas propõe outra coisa, ao invés de ficção baseada em herói que luta e mata (que é meio que o que acontece no filme), ela sugere a imagem da cesta, que carrega, junta e coopera. Já o Flusser vai por um caminho totalmente diferente, ele não quer consertar o diálogo entre humanos, e sim inverter a jogada. Os objetos é que deveriam comandar, programar a gente, transformar a cultura num jogo sem propósito. Enquanto o filme parece dizer que a comunicação humana é um fracasso violento sem solução, a Le Guin aposta na cooperação e no cotidiano, e o Flusser aposta na revolução dos objetos. São três respostas bem diferentes pro mesmo ponto, como a gente se relaciona sem se destruir.


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